Alster

Hamburgo
O Alster é um pequeno rio, que aflui no grande Elba, mas são as suas águas que bombeiam o coração de Hamburgo. Com uma área de 160 hectares e cerca de 7 km de perímetro, o lago do Alster é um dos locais de referência no centro da cidade. É certamente um dos sítios preferidos e mais frequentados durante a Primavera e Verão, mas mesmo nesta altura de queda da folha vê-se sempre movimento tanto no lago como no amplo espaço verde à volta.

O Alstersee é também já o meu lugar preferido para dar as minhas corridas. Principalmente aos fins de semana, cruzo-me com outras pessoas a caminhar, corredores de todas as idades, mais ou menos experientes, há quem prefira passear com as crianças ou brincar com os cães. Como os alemães são normalmente pessoas práticas preferem fazer tudo de uma vez só: correr e passear a criança, empurrando o carrinho do bebé, ou andar de bicicleta e passear o cão que corre ao lado, ao mesmo ritmo, preso pela trela, por exemplo.

Percorrendo as margens do lago, tento recalcar o cansaço relegando-o para segundo plano, apreciando casas nobres, elegantes e outras mais modernas que se erguem altivas, sigo os barcos à vela, a remos e as canoas que desatam da margem e deslizam de um lado a outro, saboreando o sol de Outono. Por vezes no Inverno, o lago congela e transforma-se numa pista para patins, trenós e brincadeiras.

Volta completa, tarefa comprida, só mais uma pequena corrida até casa. Quanto ao Alster, depois do lago, as suas águas unem-se às do Elba que desagua no Mar do Norte.

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De armas e bagagens para Hamburgo

Cheguei à Alemanha com uma mala de porão de 23 kg e uma bagagem de mão. A minha vida empacotada, em Janeiro de 2011, para um estágio de seis meses.

Quando me mudei para Hamburgo, a 30 de setembro último, não havia afinal mala onde coubesse o que tinha acumulado durante os últimos três anos em Bonn. Eu, que não me tenho por pessoa consumista, não queria acreditar como a carrinha estava carregada na hora de partir. Os seis meses de estágio passaram afinal a mais de três anos de trabalho em Bonn, na DW, e a uma multiplicação dentro dos armários e gavetas da casa!

Mudança

Apesar de ter deixado tudo encaixotado previamente, a manhã de dia 30 de setembro voou e carregar a carrinha alugada levou mais tempo do que esperava: bicicletas a um canto, caixa atrás de caixa, mochila, sacos… Seguiram-se mais de 400 km em direção a norte com o Gilberto ao volante – porque eu não me atreveria a tal empreitada! Quando chegámos a Hamburgo já anoitecia, começava a chuviscar e, para piorar, o elevador estava avariado! Era preciso pegar em tudo, mais uma vez, e subir até ao quarto andar. E afinal como conseguir arrumar a tralha toda num quarto de 8.5 metros quadrados?

Trazer as caixas todas de uma vez era impossível – simplesmente não cabíamos nós e as caixas ao mesmo tempo! Teve de ser aos poucos, um par de caixas numa rodada, limpar e arrumar como era possível, e voltar a carregar… parecia que nunca mais acabava e já sentia câimbras nos braços! Depois de muito sobe e desce, afinal acabou por caber tudo arrumadinho! Estávamos exaustos!

Já tarde, finalmente o descanso. Mas nem por isso me sentia menos relaxada… na manhã seguinte começava o primeiro dia de uma nova etapa – afinal o motivo que me trouxe para Hamburgo!

Histórias de Bonn… agora a partir de Hamburgo

Durante mais de um ano, eu própria não consegui voltar a visitar este espaço. Ao longo deste tempo, senti sempre um aperto e um peso de consciência ao pensar que tinha deixado em suspenso, quase de repente e sem explicação, as palavras que preenchem este meu caderno. A falta de tempo, de vontade, de ideias deixou este espaço, talvez por demasiado tempo, vazio.

Entretanto começa uma nova etapa e, com ela, surgirão certamente novas histórias para voltar a partilhar… a partir de Hamburgo. Até já!

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