A caixinha mágica

Já passou algum tempo desde a última vez em que decidi traduzir em palavras uma parte do que corre cá dentro. Por falta de tempo, de imaginação ou de vontade fiz uma longa pausa. Durante este tempo, o mundo continuou a girar entre surpresas e desilusões.

Por exemplo e fazendo um paralelo com o anterior texto, soube-se hoje que Nelson Mandela foi enviado para casa. Até neste momento de doença e velhice o ex-Presidente da África do Sul se mostra forte e resistente, traindo os média internacionais que se posicionavam como abutres. Incrível como um homem de 95 anos que viveu uma vida plena, de convicção dedicação e sofrimento, que esteve preso mais de 20 anos, detenção que lhe valeu problemas respiratórios até hoje, resiste! Mandela é realmente uma personalidade forte e única.

Mapa da ARD - Agrupa as emissoras regionais de rádio e televisão da Alemanha

Mapa da ARD – Agrupa as emissoras regionais de rádio e televisão da Alemanha

Acompanhei esta notícia pela televisão. É importante este pormenor, sim, pois há mais de dois anos a chamada “caixinha mágica” (que há muito tempo deixou de ser caixinha) não fazia parte da minha vida. Desde que vim para a Alemanha, em Janeiro de 2011, praticamente não tinha acesso à televisão. Durante muito tempo vivi bem sem ela, sem saudades dos mil intervalos de publicidade, das novelas ou dos filmes que aqui são dobrados.

Mas a partir de determinada altura começou a deixar de fazer sentido. Ouvia pouca rádio e lia ainda menos jornais alemães, pois pouco era capaz de entender, pelo que me restava acompanhar as notícias pela internet. No entanto, houve alturas em que a minha família me contava, a partir de Portugal, coisas que se passavam na Alemanha e que me passavam ao lado. Além de me sentir desinformada, como jornalista, sentia-me (ainda) mais desintegrada, sem saber muito do que se passa na sociedade que me acolhe.

A televisão passou a ser um luxo que eu queria adquirir. Mais do que um entretenimento, a televisão parece-me uma ferramenta importante para aprender alemão, numa linguagem mais fácil que a dos jornais e reforçada pelo poder das imagens. Há uma semana voltei a ouvir os sons e a ver as imagens do que se passa no mundo, a publicidade que não conheço. Apesar do “lixo” que passa em qualquer televisão, parece-me, neste momento, uma ferramenta de integração e de aprendizagem. É um auxiliar para me ambientar numa língua que ainda me é estranha, de ver como se faz televisão noutro país, de saber qual é o acontecimento do momento, do que é que se fala e como se faz a abordagem, principalmente agora que a Alemanha se prepara para eleições parlamentares a 22 de Setembro. Claro que há sempre a tendência de mudar para o mais fácil, mudar para a CNN e ouvir inglês. Mas cá em casa tentamos, às vezes, não fazer essa batota!

P.S. Um obrigada ao Carlos Martins!